A deputada federal Erika Hilton informou nesta terça-feira (23) que acionou o Ministério Público Federal (MPF) para solicitar medidas contra a divulgação de apostas esportivas por comentaristas durante transmissões de partidas. A parlamentar argumenta que a prática pode influenciar espectadores ao associar publicidade de apostas à credibilidade dos profissionais de comunicação.
Segundo Hilton, comentaristas esportivos têm utilizado análises, palpites e divulgação de odds, cotações que indicam os possíveis ganhos em apostas, em espaços inseridos nas transmissões. Para a deputada, esse tipo de conteúdo pode confundir informação esportiva com publicidade.
“É inaceitável um comentarista usar a sua posição de especialista para induzir os telespectadores a apostarem”, afirmou a parlamentar ao justificar o pedido encaminhado ao MPF.
Debate sobre publicidade de apostas ganha força
A iniciativa ocorre em meio à ampliação da presença das casas de apostas no futebol brasileiro. Nos últimos anos, empresas do setor passaram a investir em patrocínios de clubes, campeonatos, transmissões esportivas e campanhas publicitárias com atletas, ex-jogadores e personalidades da mídia esportiva.
Hilton defende que a publicidade relacionada às apostas esportivas esteja sujeita a regras rigorosas de identificação e transparência. Segundo a deputada, anúncios devem ser claramente sinalizados ao público para evitar confusão entre conteúdo editorial e ações promocionais.
A parlamentar também declarou que a divulgação de apostas exige cuidados especiais devido ao potencial impacto sobre consumidores e apostadores.
Discussão envolve limites entre informação e publicidade
O tema tem gerado debates entre especialistas, parlamentares e representantes do setor de comunicação. Entre os pontos discutidos estão os limites da participação de comentaristas e personalidades esportivas em ações promocionais ligadas às plataformas de apostas.
Críticos da prática argumentam que a reputação construída por profissionais da área esportiva pode aumentar a influência das mensagens publicitárias sobre os espectadores. Já defensores do modelo afirmam que a publicidade de apostas é uma atividade regulamentada e que deve seguir as normas vigentes para comunicação comercial.
Até o momento, não há informação sobre eventual manifestação do Ministério Público Federal em relação ao pedido apresentado pela deputada.

